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Tópico: Os japoneses não estão a fazer sexo e ninguém sabe porquê

  1. #1
    Avatar de Hades
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    Mar 2010
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    Os japoneses não estão a fazer sexo e ninguém sabe porquê

    No final de fevereiro de 2016, a Agência de Recenseamento do Japão anunciou que a população sofreu um declínio líquido, a registar mais mortes do que nascimentos, pela primeira vez desde 1920.

    Os japoneses estão a fazer menos sexo do que nunca. Alguns autores ocidentais estão tão surpreendidos com este facto que chegam mesmo a perguntar por que motivo os jovens japoneses pararam de fazer sexo.
    Em 2011, o Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social do Japão publicou os seguintes dados: 61% dos homens solteiros e 49% de mulheres entre os 18 e os 34 anos não mantêm relações íntimas. O grande número de virgens no Japão deixou as autoridades do país muito preocupadas.
    Afinal, os japoneses fazem sexo com que frequência? Mais sexo poderia ajudar a melhorar a taxa de natalidade do país?



    É oficial: população está em declínio

    Em primeiro lugar, consideremos o declínio da população japonesa. Nos últimos cinco anos (o Japão realiza um censo completo a cada 10 anos e uma contagem parcial a cada cinco anos), a população do país diminuiu cerca de 0,7% (em torno de 950.00 pessoas) passando a 127,1 milhões.
    Em 2015, quase um terço da população japonesa tinha mais de 65 anos. A projeção para 2050 é que aproximadamente 40% dos japoneses terão mais de 65 anos.
    Para piorar o futuro populacional do Japão, a taxa de fecundidade do país tem sido cerca de 1,41 nascimento por mulher, abaixo da “taxa de substituição da população”, que é de aproximadamente 2,1 – o número médio de filhos por mulher para substituir a população durante quase quarenta anos, desde a década de 1970.
    Na verdade, o anúncio feito este mês pela agência de recenseamento sobre o declínio líquido da população já havia sido previsto há algum tempo.
    O Japão não é o único país do mundo a experimentar este fenómeno. Na Alemanha, a fertilidade permanece abaixo de 1,5 criança por mulher desde 1975, enquanto o Banco Mundial aponta que a região Ásia-Pacífico está a envelhecer mais rapidamente que qualquer outro lugar.
    Ou seja, o envelhecimento populacional é um desafio global que não é exclusivo do Japão. O governo Abe pretende “estabilizar” a população do Japão em 100 milhões, incentivando as mulheres a ter mais filhos e a melhorar a taxa de crescimento populacional.
    O principal problema do Japã o(está provado, diz a sabedoria popular) é que os japoneses não estão interessados em fazer sexo.
    A “síndrome do celibato” existe ou é invenção?

    A imagem do país está frequentemente ligada à ideia de que os japoneses não estão a fazer sexo. Afinal, a “síndrome do celibato” do Japão existe mesmo ou é invenção dos meios de comunicação estrangeiros?
    No Japão, há até um nome para apelidar este fenómeno: “síndrome do celibato” (セックスしない症候群). Curiosamente, o verbete da Wikipédia para esta expressão cita um artigo de 2013, do The Guardian, como a principal fonte do termo.
    Um artigo em japonês sobre a “síndrome do celibato” começa com uma referência a um documentário de 2013, da BBC, intitulado “Nada de sexo, por favor, somos japoneses”.
    A maioria dos resultados de busca para “セックスしない症候群” parecem ter ocorrido ao longo de 2013, e os artigos em língua estrangeira, por exemplo, no Huffington Post e no China’s People’s Daily Online, superam os resultados em língua japonesa.
    Pesquisa da Durex ainda tem peso

    A ideia pode ter origem no método de referência utilizado numa pesquisa sobre sexo, “Sexual Wellbeing Global Survey”, realizada pela fabricante de preservativos Durex, em 2006 e 2007.
    Esta pesquisa, que já tem quase uma década, contou com 26.000 participantes, com 16 anos ou mais, em 26 países, e avaliou os hábitos sexuais de cada um. Apesar de ter mais de 10 anos, os resultados da pesquisa continuam a ser reutilizados ano após ano pelos meios de comunicação, tanto ocidentais como japoneses.
    Por exemplo, num artigo de 2014, da edição on-line da revista Toyo Kezai, Sechiyama Kaku, um professor na Universidade de Tóquio, cita o estudo da Durex de 2006/07 para argumentar que “o Japão tem a mais baixa frequência sexual do mundo”.
    No estudo da Durex, os japoneses responderam que faziam sexo 45 vezes por ano, o número mais baixo entre todos os 41 países que participaram na pesquisa.
    Dito isto, um relatório japonês mais recente, e ainda pouco conhecido, parece confirmar as conclusões da Durex sobre a libido do Japão. Na verdade, a Sagami, empresa líder no mercado de preservativos no Japão, realizou a sua própria pesquisa sobre sexo em 2013.
    O autor de um blogue, Yuta Aoki, resumiu os resultados da sondagem da Sagami. Aoki aponta que a pesquisa mais recente parece confirmar a conclusão da Durex: os japoneses não fazem mesmo muito sexo.
    “Casamentos assexuados” japoneses

    Aoki salienta que a sondagem da Sagami indica que as pessoas que estão em relacionamentos sérios no Japão (Durex examinou pessoas sexualmente ativas) podem estar a fazer sexo bem menos do que 45 vezes por ano. Um estudo de 2006, feito pela Bayer, mostrou que os casais japoneses, em média, fizeram sexo apenas 17 vezes por ano.
    Além disso, o estudo da Sagami descobriu que 55,2% dos casais se consideravam assexuados. Nos últimos anos, o “casamento assexuado” transformou-se num tema muito debatido no Japão.
    Um levantamento feito pela Associação Japonesa de Planeamento Familiar revelou que a maioria dos homens casados estavam muito ocupados ou cansados do trabalho para fazer sexo. As mulheres relataram que o sexo era uma atividade “muito enfadonha”.
    No entanto, o interessante sobre o estudo da Sagami, relata Aoki, é que, em geral, as pessoas no Japão não têm aversão ao sexo: 58% das mulheres e 83% dos homens solteiros entre 20 e 30 anos dizem que querem fazer sexo.
    Mesmo havendo uma variedade de razões pelas quais algumas pessoas no Japão vivem sem sexo, a aversão não é uma delas.
    Fazem sexo, mas não com as suas parceiras

    É importante salientar que no contexto do levantamento da Sagami, casais que relataram estar num casamento “sem sexo” estavam a referir-se apenas aos parceiros daquele relacionamento. No país, pouco se fala sobre sexo extraconjugal ou sexo pago.
    De acordo com várias pesquisas, entre 10 e 20% dos homens e metade desse percentual de mulheres admitiram ter tido sexo extraconjugal (不倫, furin). Isto significa que, mesmo que os japoneses estejam em relacionamentos sem sexo, não é correto dizer que não fazem sexo.
    Além disso, muitos homens casados no Japão fazem uso da milionária indústria do sexo do país de 5 mil milhões de dólares (5兆6,884億 円). Certamente, no Japão, uma significativa parcela de homens heterossexuais casados está a pagar para ter sexo.
    Pagar por sexo

    Uma significativa minoria dos homens japoneses heterossexuais casados pode estar a pagar por sexo. De acordo com a Agência Nacional de Polícia do Japão, APN, em 2011, houve mais de 29.000 negócios ligados à indústria do sexo no país (性風俗関連特殊営業, seifuzokukanrentokushueigyo), 10.000 a mais que em 2007.
    O comércio do sexo no Japão consiste numa variedade de estabelecimentos e empresas, incluindo bordeis, casas de massagem, agências de acompanhantes e serviços de encontros pagos.
    Numa sonfagem conduzida pela MiW, uma comunidade que fornece apoio a pessoas cujos parceiros tem sexo extraconjugal, 23% dos homens casados entrevistados em Tóquio disseram que tinham pago por sexo. Um outro levantamento feito pelo Centro Nacional de Educação Feminina do Japão chegou à conclusão de que 40% dos homens japoneses pagam por sexo.
    Assim, embora a “síndrome do celibato” no Japão possa existir, talvez ocorra apenas entre casais heterossexuais em relacionamentos duradouros.
    Impacto no declínio da taxa de natalidade

    Uma nova política do Governo Abe está a fazer com que as mulheres japonesas enfrentem duplos ou triplos dilemas: as mulheres estão a ser incentivadas a ter mais filhos para aumentar a taxa de natalidade do país e reduzir o lento declínio populacional.
    Espera-se ainda que essas mesmas mulheres cuidem dos filhos e dos familiares idosos. Dessa forma, mesmo que mais sexo signifique uma taxa de natalidade mais elevada, para as mulheres japonesas poderia significar apenas mais trabalho e até menos tempo livre do que têm agora.

    In: https://zap.aeiou.pt/os-japoneses-na...em-sabe-206640

  2. #2
    Avatar de sacp
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    confusao de estudos pelas marcas de preservativos e e depois associarem que por haver menos nascimentos quer dizer que há menos sexo.
    H-Kente gosta disto.

  3. #3

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    confusao de estudos pelas marcas de preservativos e e depois associarem que por haver menos nascimentos quer dizer que há menos sexo.
    Bom resumo.

  4. #4
    Zam
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    O sentimento de solidão é cada vez maior. Se de facto estão a haver mais mortes que nascimentos, tal como em Portugal, isso é que é preocupante! Mas não deverão nascer bebés só porque "sim" mas por haverem condições e segurança para o seu crescimento.
    sacp gosta disto.
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