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Tópico: Eutanásia - O Direito à dignidade na morte...

  1. #1

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    Eutanásia - O Direito à dignidade na morte...

    Deixo aqui um excelente artigo do Público sobre este tema tão controverso.

    Eutanásia, sim ou não?

    https://www.publico.pt/sociedade/not...imento-1723155

    "Um ser humano normal absolutamente exaurido pela dor física, pelo sofrimento psíquico, pelo isolamento social num hospital ou num ‘hospício’, acamado, não raro inconsciente a maior parte do tempo, incontinente, de pele engelhada e manchada de chagas incicatrizáveis.”

    Quando o filósofo e escritor Miguel Real fez 60 anos e foi avô pela primeira vez decidiu escrever o livro onde aparece esta descrição, Manifesto em Defesa de uma morte livre (Edições Parsifal, 2015). Entende o que lá escreveu, e a pesquisa que fez para o escrever, como “uma preparação para a última fase" da sua vida: "Eu preferia morrer de ataque cardíaco, a dormir…” Mas, se o seu fim for mais parecido com o que descreve, sentiu a necessidade de vir dizer que quer a eutanásia para si, e de explicar porquê.
    "
    Pouco Santa e Hades gostam disto.

  2. #2
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    EU concordo... em certos casos... eu concordo


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  3. #3
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    ASSOCIAÇÃO DE BIOÉTICA DIZ QUE NÃO DEVEM SER OS MÉDICOS A PRATICAR EUTANÁSIA


    O presidente da Associação de Bioética defende que a eutanásia não deve ser praticada por médicos mesmo que venha a ser legalizada, considerando que há outros profissionais de saúde que podem ser envolvidos na questão.



    Em declarações à agência Lusa, Rui Nunes considera que se deve discutir que profissionais poderiam ser envolvidos na morte assistida, um debate que o especialista julga que deve até ser feito antes de se discutir a despenalização da eutanásia ou suicídio assistido.
    “Não vejo que haja neste momento condições para ser a classe médica. A ética médica é milenar, tem princípios éticos muito sólidos e que estão profundamente enraizados na nossa prática. Os médicos são treinados para tratar, para cuidar, para aliviar o sofrimento. Introduzir uma outra dimensão, que é prepará-los para diretamente tirar a vida… não estou a ver que seja compaginável com o que são os princípios e a prática da medicina nem com aquilo que as pessoas desejam de um médico”, afirmou o especialista em bioética.
    Rui Nunes defende que, caso a morte assistida seja despenalizada, deve ser encontrado um caminho que não desvirtue a medicina nem a profissão médica, devendo ser questionados outros grupos profissionais.
    “A ser despenalizada não têm por que ser os médicos a praticá-la. Há que questionar, por exemplo, os enfermeiros se estão disponíveis. Podem ser outros grupos profissionais. Hoje há uma plêiade alargada de profissionais de saúde”, argumenta o presidente da Associação Portuguesa de Bioética.
    Legalizar a eutanásia é "desvirtuar profissão"
    Defendendo que legalizar a eutanásia e impô-la à medicina é “desvirtuar a essência da profissão”, o perito considera que “não tem de ser necessariamente um médico” a “administrar um produto farmacológico”.


    “Estamos a falar de uma forma de auxílio ao suicídio. Mas porquê os médicos? É um debate absolutamente urgente e nem sei se não deve mesmo preceder a questão da legalização da eutanásia”, disse.
    Rui Nunes reconhece que são médicos a praticar a eutanásia nos países europeus que a legalizaram, mas avisa para “os resultados que estão à vista”, dando como exemplo os casos de morte assistida em crianças ou doentes com problemas de natureza psicológica.
    O especialista acredita que dar esta ferramenta aos médicos, “este poder acrescido”, os dessensibiliza para a natureza da sua profissão.
    O presidente da Associação de Bioética tem defendido a necessidade de um debate alargado sobre eutanásia em Portugal e consequente realização de um referendo.

    In: Associação de Bioética diz que não devem ser os médicos a praticar eutanásia | SAPO Lifestyle

    _______________________________
    Bom de facto os médicos fazem o seu juramento para salvarem vidas... não para tirar...

    Mas acho que tendo em conta o sofrimento do paciente e familia...

    O que se impõe: se não pelos médicos, por quem então?


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  4. #4

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    É uma falsa questão...
    Quando o O Juramento de Hipócrates foi criado nem sequer era possível prolongar a vida com os recursos que hoje estão disponíveis, logo essas pessoas a que se destina a Eutanásia estariam "naturalmente" mortas ao fim de determinado tempo, maior ou menor consoante o caso!...e atenção NUNCA a questão da eutanásia em Portugal se referiu a questões de natureza psicológica referidas no texto!

  5. #5
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    Citar Mensagem Original de H-Kente Ver Mensagem
    É uma falsa questão...
    Quando o O Juramento de Hipócrates foi criado nem sequer era possível prolongar a vida com os recursos que hoje estão disponíveis, logo essas pessoas a que se destina a Eutanásia estariam "naturalmente" mortas ao fim de determinado tempo, maior ou menor consoante o caso!...e atenção NUNCA a questão da eutanásia em Portugal se referiu a questões de natureza psicológica referidas no texto!
    Mais uma vez pergunto: se não os médicos... então quem?

    Na minha opiniões os medicos estão "aptos" para praticarem a eutanásia.... mais uma vez: consoante os casos em mão


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  6. #6

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    Nesse aspecto o artigo tem alguma veracidade. Nem só os Médicos estão em condições de prestar esse apoio (que no fim é o que se trata). Há profissionais de saúde aptos a fazê-lo, enfermeiros por exemplo. Mas a "preocupação" do autor do texto parece-me ser a de "sacudir a água do capote" e isso na minha opinião é inaceitável!!!

    A prática da Eutanásia deve obviamente ser "balizada" mas nunca esquecendo que cada caso será um caso e a avaliação deverá ser multidisciplinar e deverá sempre que possível (pois haverá casos em que tal não o será) ter intervenção do paciente.

    A Eutanásia não é um Acto mas sim um Processo!
    malandreco28 gosta disto.

  7. #7
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    O QUE É A EUTANÁSIA, A MORTE E O SUICÍDIO ASSISTIDO?


    Uma visão abrangente, explicativa, com suporte histórico e arcaboiço científico escrita pela mão do médico Viriato Horta.



    O Movimento Cívico para a Despenalização da Morte Assistida, através do manifesto “Direito a morrer com dignidade”, veio colocar de novo na ordem do dia uma questão social muito antiga e importante, mas ainda hoje pouco debatida em Portugal e talvez por isso pouco compreendida: a morte assistida e o seu enquadramento legal.
    Sendo a eutanásia e o suicídio assistido ainda considerados crime pela lei portuguesa, o que agora se veio mais uma vez defender foi a despenalização destas práticas e a sua regulamentação, dentro do princípio defendido pelos signatários do manifesto de que cada cidadão tem o direito a dispor da sua vida e, em determinadas circunstâncias, a pedir ajuda para terminar com ela de forma digna e sem sofrimento.

    O que está em causa?
    O que se pede é o reconhecimento de um direito, sem que isso signifique que alguém seja obrigado a pedir a morte, que se permita a eutanásia a pedido de terceiros ou que isso implique um menor investimento nas redes de cuidados paliativos e no apoio aos doentes em sofrimento.
    Em sentido contrário surgiu entretanto uma “Petição contra a morte assistida (Eutanásia)”, que defende a sua penalização, por entender que “A vida é uma dádiva divina sobre a qual nenhum ser humano tem direito ou o poder de voluntariamente cessá-la” e que “A Morte Assistida entra em conflito e exclui o acesso aos cuidados paliativos e a sua despenalização significa menor investimento nesse tipo de cuidados”.
    Os argumentos a favor e contra a morte assistida giram à volta da forma como se encara a vida, a forma de a viver e o modo como ela pode ou deve terminar. Embora nem sempre tenha sido assim ao longo da história da humanidade, hoje toda a gente concorda que o direito a viver é inviolável, mas nem todos concordam que seja “obrigatório” viver, isto é, que a vida seja um dever irrenunciável, ao qual ninguém se pode eximir.
    Muitos pensam que cada pessoa, em sua boa consciência, de forma lúcida e na posse de toda a informação possível sobre a sua doença, tem o direito a querer terminar com um sofrimento por si considerado como intolerável (é pior estar vivo que morrer”) e para isso peça ajuda a terceira pessoa (seja ela um médico ou não).
    É um assunto “melindroso” e “incómodo”, que mexe com a cultura ocidental, construída ao longo de séculos sobre uma matriz religiosa judaico-cristã (e até islâmica), em que a vida tem um caráter sagrado. Daí que o seu debate seja fraturante, levando muitas vezes a tomadas de posição extremadas, que não facilitam um debate construtivo.

    Um pouco de história e reflexão social
    No entanto, esta questão não se coloca apenas nas sociedades contemporâneas. A eutanásia e o suicídio assistido eram aceites por muitos povos primitivos (as tribos nómadas, os celtas, os índios sul-americanos, os eslavos e os escandinavos) e foram defendidos e praticados em várias civilizações antigas (na Índia, na Birmânia, na Grécia antiga, no Império Romano…).
    Mas, mesmo nesse tempo, havia vozes discordantes, das quais a mais conhecida foi a de Hipócrates, médico grego que há 2.500 anos já se opunha à eutanásia e jurava não dar a ninguém, mesmo para agradar, remédio mortal, nem conselho que induzisse à “perdição”. Esta e outras normas de conduta faziam mesmo parte do famoso “Juramento de Hipócrates”, que este médico impunha aos seus discípulos e que depois foi incorporado (embora com sucessivas alterações) nos preceitos médicos da “medicina ocidental”, especialmente porque se coadunavam com a visão judaico-cristã da sacralização da vida.
    Mas as sociedades evoluem, e aquilo que numa determinada época é aceite pode passar a ser proibido e vice-versa. São exemplos desta constante evolução social o fim da escravatura, o direito à propriedade, o direito de voto das mulheres, o direito à educação, o casamento entre pessoas do mesmo género, o direito ao divórcio e ao aborto, o planeamento familiar, a penalização da violência doméstica, a despenalização do consumo de drogas ilícitas, a co adoção, a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, os direitos dos animais e tantas outras questões, ao seu tempo igualmente fraturantes, incómodas e melindrosas e que foram sendo incorporadas na lei e na prática social.
    E tudo isto sem que o direito de voto obrigue alguém a votar, sem que a uma grávida que não o deseje seja imposto um aborto ou que um jovem vá consumir heroína apenas porque não vai preso se o fizer. Um casal não se divorcia só porque o pode fazer, mas um marido violento não deixa de bater na mulher apesar de isso ser proibido e penalizado. Do mesmo modo, ninguém deve ser obrigado a morrer às mãos de terceiros, embora se possa aceitar que alguém queira deixar de viver e peça ajuda para o fazer.

    Saber mais para decidir melhor
    Quando se abordam questões tão complexas como esta da morte assistida, o mais importante é que se saiba exatamente de que está a falar e que se conheça o significado dos diversos conceitos envolvidos na discussão. Se muitas pessoas preferem “não saber”, muitas outras procuram “saber mais” para melhor poderem formar a sua opinião.
    Por isso importa, de seguida, explicar o que é a morte assistida (e outros conceitos relacionados com a eutanásia e o suicídio assistido), esclarecer algumas questões ligadas à dor, ao sofrimento, aos cuidados continuados e paliativos e às diretivas antecipadas de vontade (Testamento Vital), fazendo, quando necessário, algumas considerações ou comentários sobre os mesmos (sendo certo que a terminologia tem variado ao longo do tempo e que nem todas as definições apresentadas são consensuais nem esgotam o tema).

    O significado de cada termo: vários modos de ler a morte
    O termo “morte assistida” designa o ato de se antecipar ativamente a morte de um doente em sofrimento intolerável, a seu pedido expresso e utilizando técnicas que não implicam sofrimento para o doente. Neste conceito estão incluídos a eutanásia e o suicídio assistido.
    O termo “eutanásia”, proposto em 1623 pelo grande humanista Francis Bacon, vem do grego “eu” (bem, bom, belo) e “thanatos” (morte), o que se poderia traduzir como “boa morte” ou “morte serena, sem sofrimento” e até foi considerada como “morte em estado de graça”. A eutanásia é, na sua essência, a conduta de alguém que deliberadamente causa a morte serena de outrem, a seu pedido e com a finalidade de o libertar de um grande sofrimento provocado por uma doença incurável.
    Uma das definições mais recentes de eutanásia é a seguinte: “o ato médico deliberado, voluntário e compassivo de abreviar ou antecipar sem sofrimento e dignamente a morte de alguém que, padecendo de profundo sofrimento físico ou psicológico sem esperança de cura ou de alívio razoável, o solicita reiteradamente de forma consciente, lúcida e informada”. Alguns autores designam este ato como “eutanásia ativa”, por oposição a outras formas possíveis de eutanásia, que se apresentam abaixo.
    Apesar de ser aconselhável, não é indispensável (nem é exigida em todos os locais) que a eutanásia seja praticada por um médico, existindo técnicas eficazes ao alcance de outros profissionais de saúde ou até de familiares ou amigos do doente.
    A “eutanásia passiva” (ou “ortotanásia”, para alguns autores) consiste na suspensão do tratamento ou dos procedimentos (quimioterapia, antibióticos, soros, transfusões de sangue, administração de oxigénio…) que prolongam a vida de um doente terminal, abreviando-lhe assim a morte. De modo a que o doente morra sem sofrimento, devem manter-se as medidas que visam reduzir a dor.
    O termo “ortotanásia”, propriamente dito, significa morte natural ou “morte no tempo certo”, que ocorre pelo livre curso da doença, sem que esta seja tratada. No fundo, é o que se passa quando uma pessoa com uma hemorragia grave recusa uma transfusão de sangue ou um doente oncológico não quer ser operado ou sujeito a quimioterapia, mesmo sabendo que por isso a morte será antecipada.
    Hoje em dia já é possível (em Portugal e em muitos outros países) determinar com antecedência que nível de tratamento cada pessoa está disposta a aceitar ou recusar, estabelecendo as suas “Diretivas Antecipadas de Vontade” no Testamento Vital (o que já foi feito por cerca de 2.000 portugueses). Este documento, que pode ser revogado ou alterado a qualquer momento, tem de ser confirmado de 5 em 5 anos e permite ainda a nomeação de um “Procurador de Cuidados de Saúde”, pessoa da confiança do testador, que será chamado a decidir em seu nome no caso dele se encontrar incapaz de expressar a sua vontade de forma autónoma.
    A "morte por duplo efeito" ou "eutanásia de duplo efeito" ocorre quando a morte é acelerada como consequência indireta das ações médicas que visam o alívio do sofrimento de um doente, como a utilização de altas doses de analgésicos ou sedativos, que podem agravar uma insuficiência respiratória ou cardíaca ou até provocar uma paragem cardiorrespiratória. Este tipo de procedimentos é atualmente aceite pela Igreja Católica.
    A “sedação paliativa” consiste em suavizar, por meio de medicamentos, a dor do doente, diminuindo ou mesmo anulando o sofrimento da pessoa em estado terminal. É um dos pilares da atuação das unidades de cuidados paliativos, que alivia o sofrimento mas não antecipa o momento da morte.
    A “distanásia”, também conhecida como “obstinação terapêutica” ou “encarniçamento terapêutico” é o oposto da eutanásia passiva, consistindo em prolongar inutilmente a vida de um doente incurável através de meios artificiais e desproporcionais (terapia fútil), mesmo que com a continuação do sofrimento do doente. Exemplos de distanásia são a reanimação de doentes oncológicos terminais que entram em paragem cardiorrespiratória e a manutenção, sem qualquer proveito para o doente, da ventilação artificial nos estados de morte cerebral. No entanto, pode ser lícito manter estas pessoas vivas durante algumas horas ou dias com a finalidade de manter o seu “corpo” em condições para a recolha de órgãos para transplante.
    A distanásia é condenada pelos códigos deontológicos dos profissionais de saúde, pelas comissões de ética e pela generalidade das igrejas, que deixam à ciência médica a definição dos critérios de morte e, em consequência, a definição de quando uma pessoa está viva ou morta.
    A “mistanásia”, por vezes designada, embora erradamente, como “eutanásia social”, significa “morte “miserável”, ocorrida fora e antes do seu tempo, por omissão de socorro ou de prestação de cuidados médicos a populações, em geral pobres. A mistanásia tem a ver com o grau de precariedade dos serviços de saúde, que nem sempre têm recursos suficientes para lidar com determinadas doenças físicas ou mentais que, devidamente tratadas, evitariam maiores sofrimentos e mortes prematuras. Dois exemplos: a incapacidade económica de muitos países para suportar os custos do tratamento da sida, da hepatite C ou do cancro e a ausência de meios de socorro adequados para assistência às vítimas de acidentes graves ou catástrofes naturais.

    Ainda quanto à eutanásia, existe outra forma de a classificar, conforme a responsabilidade do agente, em “eutanásia voluntária” (executada conforme a vontade do paciente), “eutanásia involuntária” (executada contra a vontade do paciente) e “eutanásia não voluntária” (executada independentemente da manifestação de vontade do paciente).
    A “eugenia“, também conhecida como “higienização social” ou “profilaxia social”, consiste na eliminação de pessoas portadoras de deficiências físicas ou mentais, de doentes graves, de idosos em fase terminal ou de quaisquer outras pessoas que, pela sua deficiência, doença, raça ou outra situação sejam consideradas como um fardo para a sociedade ou um risco de conspurcação da “pureza” genética de quem pratica a eugenia.

    A eugenia foi prática comum em sociedades primitivas, especialmente as nómadas, que dependiam da mobilidade para a sua sobrevivência e não podiam transportar consigo os doentes e incapacitados, mas também não os queriam deixar ao abandono, expostos aos inimigos e aos predadores. Mais recentemente (e a par de outras técnicas de “limpeza étnica”, como a esterilização forçada ou a proibição do casamento e das relações sexuais entre grupos considerados puros e não puros), foi praticada por regimes totalitários, como sucedeu com o regime nazi.
    Uma forma mais alargada de morte seletiva é o “genocídio”, que consiste no assassinato deliberado de pessoas, devido a diferenças étnicas, nacionais, raciais ou religiosas, com vista à eliminação de todas as pessoas pertencentes a esses grupos, existindo ainda controvérsia sobre a inclusão dos motivos políticos e sociais nesta definição. Alguns exemplos de genocídio são os crimes cometidos ao longo dos séculos sobre huguenotes franceses, índios norte-americanos, irlandeses, filipinos, arménios, tibetanos, chechenos, curdos, bósnios ou ruandeses.
    organic gosta disto.


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  8. #8
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    O(s) suicídio(s)
    O “suicídio assistido“ consiste na facilitação do suicídio de um doente, a seu pedido, quando este doente não consiga suicidar-se sem ajuda. Neste caso, o agente facilitador (profissional de saúde, amigo, familiar…) não provoca diretamente a morte do doente que se quer suicidar, mas coloca ao seu alcance os meios adequados a esse fim, a que ele não conseguia aceder e que lhe permitem morrer sem sofrimento (medicamento em dose fatal, veneno, gás, etc.). No suicídio assistido é o doente que pratica pessoalmente o ato que o vai levar à morte.
    Uma definição recente de suicídio assistido é a seguinte: “o ato deliberado e voluntário e compassivo de alguém que, padecendo de profundo sofrimento físico ou psicológico sem esperança de cura ou de alívio razoável, abrevia ou antecipa por si mesmo a sua morte, sem sofrimento e dignamente, sob orientação e/ou assistência médica, após o ter solicitado reiteradamente de forma consciente, lúcida e informada”.
    É precisamente o pedido de ajuda a terceiros para morrer de forma digna e sem sofrimento que diferencia a morte assistida do “suicídio” (perpetrado de forma autónoma, sem qualquer ajuda), que atualmente não é considerado crime em Portugal (apenas se considera crime o “incitamento ou ajuda ao suicídio” e a “propaganda do suicídio”).
    O termo “suicídio” designa todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo (enforcamento, tiro na cabeça, inalação de gás tóxico, ingestão de veneno…) ou negativo (greve de fome, recusa de medicamentos essenciais à manutenção da vida, como a insulina num diabético insulinodependente, etc.) planeado, iniciado e praticado deliberadamente pelo indivíduo, ato esse que a vítima sabia dever produzir este resultado (caso contrário seria um “acidente” e não um suicídio). Em conformidade, chama-se “suicida” a todo o indivíduo que se mata intencionalmente.
    Uma questão muito importante no suicídio tem a ver com o que o suicida pretende quando se mata. Na maioria dos casos, o suicida, tendo perdido a sua autoestima, os seus apoios externos e a sua capacidade de sofrer, pretende terminar com um sofrimento pessoal (geralmente psicológico) considerado intolerável, para o qual não encontra solução adequada que não seja a de terminar a vida. No entanto, em contexto religioso, político, social ou familiar, o suicídio pode ser considerado altruísta e tomar a forma de ”martírio“ ou de “sacrifício“ por uma causa nobre, como sucede na guerra, nas revoluções, em contextos de fundamentalismo religioso, na defesa da honra pessoal ou alheia ou até para evitar trabalhos a familiares em caso de doença grave.
    Uma característica quase universal dos suicidas é a ambivalência: no fundo eles desejariam encontrar uma solução que incluísse a manutenção da vida, mas não acreditam que isso seja possível ou que eles se consigam adaptar aceitavelmente a essa solução de vida futura. Esta ambivalência pode explicar porque é que “falha” a maioria das “tentativas de suicídio”, agora designadas “para-suicídio” (em Portugal calcula-se que existam 30 tentativas falhadas por cada caso de suicídio consumado, o que dá cerca de 30.000 tentativas para cerca de 1.000 suicídios por ano).

    Uma pessoa que esteja em grande sofrimento psicológico, e por isso deseje morrer, tem normalmente um desejo paralelo de encontrar outra solução que não a da morte, faltando-lhe apenas os meios ou o caminho para ter o apoio que lhe falta. É neste contexto que essas tentativas falhadas são tantas vezes chamadas de atenção para os problemas vividos pelos doentes e uma forma de criar as pontes que faltam para se chegar às soluções mais adequadas.
    É precisamente a questão da ambivalência que tem limitado a aceitação da morte assistida para os doentes com depressão, achando os seus detratores que muitos pedidos de suicídio assistido formulados por estes doentes são mais um grito de revolta e uma chamada muito forte de atenção do que verdadeiramente uma decisão inabalável no sentido do fim da vida. Por outro lado, tem-se verificado que alguns doentes gravemente deprimidos, quando têm a possibilidade de pedir o suicídio assistido, passam a aceitar melhor as propostas terapêuticas e por vezes melhoram o suficiente para retirarem os seus pedidos.

    A dor e o sofrimento
    A “dor” é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a danos nos tecidos do organismo, podendo estes danos ser reais ou potenciais. Embora a maioria das situações de dor tenha uma causa objetiva e até quantificável (picada, corte, contusão, calor, frio, agente químico, infeção, compressão, espasmo…), a sensação de dor é sempre subjetiva, variando muito de pessoa para pessoa e até numa mesma pessoa, consoante as circunstâncias.
    As dores agudas (que duram até 3 a 6 meses) são geralmente “úteis”, quase sempre sinais de alerta para perigos ou doenças, fazendo parte dos nossos sistemas de defesa: se não sentíssemos dor com a proximidade de um objeto quente, não nos afastaríamos dele até nos queimarmos, se não tivéssemos dores de garganta não desconfiaríamos de uma amigdalite…
    As dores crónicas (que duram mais de 3 ou 6 meses) são geralmente “inúteis”, passando muitas vezes a ser experiências devastadoras e alienantes, que reduzem de tal forma a qualidade de vida que podem obrigar a tratamentos agressivos (farmacológicos ou cirúrgicos) e até levar à vontade de morrer para terminar com o sofrimento que acarretam.
    Quer a dor seja “nociceptiva”, somática ou visceral (originada nos recetores mecânicos, térmicos ou químicos da área que sofre uma lesão ou agressão) ou “neuropática” (provocada por uma lesão ou doença do próprio sistema nervoso), ela tem sempre de ser transmitida até ao cérebro, moldada por hormonas (estrogénios, testosterona, endorfinas…), pelas experiências anteriores de dor e até por influências sociais e culturais, e depois percebida pelas estruturas cerebrais, que lhe darão a sua “forma final”, mais ou menos intensa.
    Existe ainda uma forma de dor não baseada em causas orgânicas, a “dor psicológica ou psicossomática”, que é rara e difícil de tratar. Sendo de origem emocional, é muito difícil de confirmar, embora seja tanto ou mais incapacitante que as outras formas de dor.
    Apesar de existirem escalas de dor (numéricas, analógicas, cromáticas…) e de se fazerem “diários da dor”, ainda não é possível registar objetivamente, medir ou quantificar uma dor nem o efeito dos tratamentos analgésicos sobre a sua intensidade, ficando sempre um espaço muito amplo de subjetividade na sua apreciação.
    É este campo subjetivo que dá margem a que se possa aceitar que uma certa pessoa, em determinadas circunstâncias, entenda que a sua dor é intolerável e que o sofrimento que ela gera não é aceitável, podendo então surgir a eutanásia e o suicídio assistido como portas de saída, radicais e definitivas para o problema, mesmo que outras pessoas achem que a dor está controlada e o sofrimento é tolerável.
    Se a dor é uma experiência tão subjetiva (apesar da sua origem ser quase sempre objetiva), o que se poderá dizer do “sofrimento”? O sofrimento é uma interpretação mental de algo desagradável que nos acontece, é uma experiência aversiva e a sua emoção negativa correspondente, é o oposto do prazer.
    Quer a origem do sofrimento seja física ou psicológica, quer ele seja provocado por uma dor, pela perda de um familiar querido ou por um desgosto de amor, o resultado final é sempre uma sensação de desprazer que apenas pode ser sentida por quem sofre. Tal como o amor, a raiva, a inveja e tantas outras emoções, o sofrimento cabe apenas no interior de cada um, numa esfera individual a que ninguém de fora tem acesso real.

    Em jeito de conclusão
    Inevitável realidade social, a discussão sobre a eutanásia e o suicídio assistido está na ordem do dia. É um assunto que exige uma reflexão profunda (social, cultural, religiosa) por parte de todos os intervenientes, a começar por cada um dos cidadãos e a acabar na classe política e nos profissionais de saúde.
    Terá ainda de se fazer uma discussão jurídica propriamente dita, relativa à possibilidade de se legislar ordinariamente sobre a despenalização da morte assistida, à necessidade de se fazer um referendo sobre o assunto e até às possíveis formas de se encarar o bem jurídico “vida” e de o enquadrar nas outras “liberdades, direitos e garantias” constitucionalmente definidas.
    Por ser uma matéria tão “sensível”, quando então um dia for necessário legislar, então exigir-se-á que se faça uma legislação específica e uma regulamentação apropriada, capazes de evitar abusos e ao mesmo tempo de acompanhar os avanços da medicina e da sociedade.
    Até lá, espero que ninguém se coloque de fora do espaço de reflexão que uma cidadania consciente e participativa exige de todos.
    Por Viriato Horta, Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar, Clínica Europa Carcavelos

    In: O que é a eutanásia, a morte e o suicídio assistido? | SAPO Lifestyle


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  9. #9

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    Tudo isto tem um resumo muito simples,se o ser Humano tem o direito de decidir quando gerir um novo ser por diversas razões porque ñ também ter o direito em por termo à própria vida?? Ñ se projedicam terceiros e mesmo para o estado são mais camas de hospital vagas "ironia ". Quantos seres Humanos se tornaram em seres vagetativos e muitos outros casos onde já ñ existe esperança de um pouco de qualidade de vida para esses seres q estão acamados por ex.então porque ñ lhe dar esse respeito e direito. Uma forma bastante digna de os medicos poderiam se voluntáriar ou será q sofrer até q sejam chamados pelos anjos é mais justo?? Acho q ñ.

  10. #10
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    Vítima de abuso sexual consegue autorização para eutanásia



    Uma jovem holandesa com cerca de 20 anos não suportou as sequelas dos abusos que sofreu dos cinco até aos 15 anos de idade e preferiu morrer a conviver com os danos psicológicos dessas memórias.
    A vítima, que não foi identificada, sofria de stress pós traumático, anorexia severa, depressão crónica e até alucinações. Um grupo de médicos realizou três avaliações diferentes com a mulher e concluiu, finalmente, que a vítima nunca seria capaz, em toda a vida, de recuperar do stress pós-traumático de que sofria.
    Assim, autorizaram a eutanásia para esse caso, permitindo que a paciente desse fim à própria vida através de uma injeção letal. Segundo a junta médica, a mulher estava totalmente no controlo das suas faculdades mentais quando tomou a decisão de deixar de viver e conviver com as sombras do que sofreu.
    A morte ocorreu em 2015, mas só agora a Comissão holandesa de Eutanásia revelou o caso, divulgado pela imprensa internacional.
    O jornal Metro UK acrescenta que a injeção letal, dada no ano passado, foi-lhe concedida depois de a vítima já ter apresentado melhorias significativas do seu estado mental e físico com terapia, o que voltou a trazer o tema da eutanásia à sociedade holandesa.
    A eutanásia foi legalizada na Holanda em 2002, tal como na Bélgica, e começou por ser aceite apenas para casos de doença mortal e sofrimento grave. Só no ano passado, houve um total de 5.561 pedidos de pessoas que quiseram pôr termo à própria vida, mais 75% do que em 2010 (3.136 casos).
    O jornal The Telegraph sublinha que a eutanásia ganhou mais expressão também no caso de pessoas com problemas psiquiátricos.
    Na Bélgica, por exemplo, tornou-se conhecido o caso de uma mulher que foi eutanasiada, sem que a família fosse informada, por sofrer de depressão, e outro em que uma mulher pediu para morrer, apesar de não sofrer de qualquer doença, apenas porque se dizia “cansada de viver”.
    No caso da rapariga, apenas a monstruosidade do abuso continuado parece ser consenso, num assunto espinhoso e complexo, já que é quase impossível medir a dor das outras pessoas.
    O caso está a causar sério debate não só na Holanda, mas também em países onde a discussão está ainda em aberto.
    Um parlamentar inglês apontou que a naturalidade com que o procedimento se deu passa uma mensagem de dupla punição, como se a mulher estivesse punida com a morte, mesmo sendo a vítima. Outro líder fez questão de repudiar a decisão dos médicos, e lembrar que a eutanásia não pode ser considerada uma solução para as feridas profundas causadas por abusos sexuais.
    Em Portugal o debate está aberto através de uma petição que foi entregue na Assembleia da República.

    In: http://zap.aeiou.pt/vitima-consegue-...-sexual-112706


    “I’m a warrior of beauty who shines proudly between Heaven and Earth” by Aphrodite no Pisces




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